Na conferência Igreja e Pandemia em Moscou, dedicada ao quinto aniversário do encontro entre o Patriarca Kirill e o Papa Francisco em Havana, os palestrantes observaram o crescimento do sentimento ateísta causado pela pandemia COVID-19.
Sua Santidade o Patriarca Kirill disse que os estereótipos da propaganda ateísta, que dificultam o trabalho da igreja, estão sendo revividos na sociedade devido à pandemia. O cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, acredita que a pandemia fez com que muitas pessoas no planeta questionassem a existência de Deus.
“O terrível sofrimento e morte de tantas pessoas levanta a questão da existência de Deus com muito mais força do que qualquer teoria da filosofia do iluminismo”, disse ele. Para ele, o choque da pandemia é comparável à impressão do grande terramoto de Lisboa em 1755, quando morreram cerca de 100 mil pessoas. 'Naquela época, este evento questionou muitas crenças anteriores <...>, surgiram dúvidas especialmente sobre a bondade e onipotência de Deus', disse o cardeal. Ele lembrou a expressão que apareceu em seguida “o sofrimento é a rocha do ateísmo”.
Koch enfatizou que a pandemia afetou a vida da igreja em um nível básico, limitando a capacidade dos clérigos de adorar. Nesse sentido, ele duvidava que todos os paroquianos retornassem às igrejas depois que as restrições fossem suspensas.