É difícil dizer exatamente há quanto tempo se tornou a ordem das coisas acusar a igreja de retardar o progresso e criar obstáculos para a ciência. Mas o contrário aconteceu mais de uma vez na história: os príncipes da igreja tornaram-se patronos dos homens da ciência e as bibliotecas do mosteiro se transformaram em repositórios dos manuscritos mais valiosos criados pelos inventores do passado. Às vezes, as tradições da igreja e os costumes da antiguidade foram muito úteis no trabalho de cientistas que viveram séculos depois. É sobre este caso que relembra a revista russa 'Science and Life'. Câncer com entranhas do rei francês Luís IX, falecido em 1297, foi inaugurado em 2014 em conexão com a celebração do oitocentésimo aniversário do nascimento do monarca amante de Deus. Com a bênção do arcebispo de Versalhes, os cientistas foram autorizados a extrair uma amostra de dois gramas dele para pesquisa biomédica. No decurso desta última, com o auxílio de um microscópio eletrônico de varredura, ficou estabelecido que o rei, que morreu no norte da África durante a Oitava Cruzada e foi canonizado pela Igreja Católica em 1297, sofria de bilharziose, doença causada por os parasitas esquistossomos, durante sua vida. São pequenos vermes, cuja ingestão geralmente não é fatal, mas, de acordo com alguns relatos, pode levar ao desenvolvimento de câncer. Encontrando parasitas africanos em os restos mortais do monarca permitiram aos cientistas traçar os caminhos e prazos da migração de vermes microscópicos para o norte, para os países da Europa. Se hoje, na era do turismo de massa, esses parasitas se espalham pelo mundo por viajantes de vários países que se banharam em águas tropicais, então na Idade Média a infecção ocorria, via de regra, durante guerras e expedições marítimas aos países do Magrebe e do Oriente Médio. Assim, o câncer com as relíquias do rei francês, cuidadosamente preservadas pela Igreja Católica, ajudou inesperadamente os cientistas modernos, se não dizer uma palavra nova, então adicionar muitas coisas importantes ao que já foi dito no campo da parasitologia.
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