Só tenho tido desilusões

“A vida neste mundo é dura como o serviço militar;
todos têm de trabalhar pesado,
como o escravo que suspira pela sombra,
como o trabalhador que espera o seu salário.
Mês após mês só tenho tido desilusões,
e as minhas noites têm sido cheias de aflição.
Essas noites são compridas;
eu me canso de me virar na cama até de madrugada
e fico perguntando: “Será que já é hora de levantar?”
O meu corpo está coberto de bichos e de cascas de feridas;
a minha pele racha, e dela escorre pus.
Os meus dias passam mais depressa do que a lançadeira do tecelão
e vão embora sem deixar esperança.
Lembra, ó Deus, que a minha vida é apenas um sopro;
os meus olhos nunca mais verão a felicidade.
Tu me vês agora, porém não me verás mais;
olharás para mim, mas eu já terei desaparecido.

Deixa-me em paz

“Como a nuvem que passa e some,
assim aquele que desce ao mundo dos mortos nunca mais volta;
10 ele não volta para casa;
ninguém lembra mais dele.
11 Por isso, não posso ficar calado.
Estou aflito, tenho de falar,
preciso me queixar,
pois o meu coração está cheio de amargura.
12 Será que eu sou o Mar ou algum outro monstro do mar
para que fiques aí me vigiando?
13 Quando penso que na cama encontrarei descanso
e que o sono aliviará a minha dor,
14 então me espantas com sonhos
e com pesadelos me enches de medo.
15 Eu prefiro ser estrangulado;
é melhor morrer do que viver neste meu corpo.
16 Detesto a vida; não quero mais viver.
Deixa-me em paz, pois a minha vida não vale nada.

Capítulo 7

Por que nos vigias?

17 “O que somos nós, para que nos dês tanta importância
e te preocupes com a gente?
18 Por que nos vigias todos os dias
e a todo instante nos fazes passar por provas?
19 Quando deixarás de olhar para mim,
a fim de que eu tenha um momento de sossego?
20 Se pequei, que mal fiz a ti, ó vigia das pessoas?
Por que fizeste de mim o alvo das tuas flechas?
Por acaso, sou uma carga tão pesada assim?
21 Por que não perdoas o meu pecado
e não apagas a minha maldade?
Logo estarei na sepultura;
tu me procurarás, mas eu não existirei mais.”

7 Só tenho tido desilusões7 “A vida neste mundo é dura como o serviço militar;todos têm de trabalhar pesado,2 como o escravo que suspira pela sombra,como o trabalhador que espera o seu salário.3 Mês após mês só tenho tido desilusões,e as minhas noites têm sido cheias de aflição.4 Essas noites são compridas;eu me canso de me virar na cama até de madrugadae fico perguntando: “Será que já é hora de levantar?”5 O meu corpo está coberto de bichos e de cascas de feridas;a minha pele racha, e dela escorre pus.6 Os meus dias passam mais depressa do que a lançadeira do tecelãoe vão embora sem deixar esperança.7 Lembra, ó Deus, que a minha vida é apenas um sopro;os meus olhos nunca mais verão a felicidade.8 Tu me vês agora, porém não me verás mais;olharás para mim, mas eu já terei desaparecido. Deixa-me em paz9 “Como a nuvem que passa e some,assim aquele que desce ao mundo dos mortos nunca mais volta;10 ele não volta para casa;ninguém lembra mais dele.11 Por isso, não posso ficar calado.Estou aflito, tenho de falar,preciso me queixar,pois o meu coração está cheio de amargura.12 Será que eu sou o Mar ou algum outro monstro do marpara que fiques aí me vigiando?13 Quando penso que na cama encontrarei descansoe que o sono aliviará a minha dor,14 então me espantas com sonhose com pesadelos me enches de medo.15 Eu prefiro ser estrangulado;é melhor morrer do que viver neste meu corpo.16 Detesto a vida; não quero mais viver.Deixa-me em paz, pois a minha vida não vale nada. Por que nos vigias?17 “O que somos nós, para que nos dês tanta importânciae te preocupes com a gente?18 Por que nos vigias todos os diase a todo instante nos fazes passar por provas?19 Quando deixarás de olhar para mim,a fim de que eu tenha um momento de sossego?20 Se pequei, que mal fiz a ti, ó vigia das pessoas?Por que fizeste de mim o alvo das tuas flechas?Por acaso, sou uma carga tão pesada assim?21 Por que não perdoas o meu pecadoe não apagas a minha maldade?Logo estarei na sepultura;tu me procurarás, mas eu não existirei mais.”